terça-feira, 30 de junho de 2009

Entrevista com Maria Clara Maffezzolli, Psicóloga formada pela FURB (Fundação Universitária Regional de Blumenau) - atua no Hospital Santo Antonio.


1) Qual a importância do psicólogo no ambiente hospitalar?

O psicólogo tem um papel essencial no sentido de humanizar o atendimento hospitalar. Valorizando as características de cada um, respeitando e compreendendo os diferentes contextos em que estão inseridos ele realiza seu trabalho com muita dedicação e amor ao próximo. Geralmente quando o paciente chega com algum tipo de dor ele quer uma resposta rápida a família exige um diagnóstico e o médico também busca esta resposta. Geralmente quando o paciente chega com algum tipo de dor ele quer uma resposta rápida, a família exige um diagnóstico e o médico também busca esta resposta. O psicólogo estará permeando esta relação para que a dor, sofrimento e suas duvidas sejam minimizadas. Independente do tempo que o paciente permanece no hospital ele deve receber assistência psicológica pois, seu estado emocional está abalado, necessitando de cuidado, apoio e acolhimento.

2) Como é feita a intervenção psicológica nos pacientes terminais? E quanto aos seus familiares?

Atuando na área oncológica e lidando com pacientes terminais as situações de desespero tanto do paciente quanto da família são comuns. A atenção deve ser focalizada no momento da dor pois não há espaço para se fazer análises mais complexas, assim a conclusão deve partir daquele momento especifico, pois em algumas circunstâncias o psicólogo deve ser bem objetivo. Existem pacientes terminais que estão internados a muito tempo, portanto exigem um atendimento diferenciado devido a gravidade de seu caso. Nestes casos a família e a equipe médica também recebem atenção do psicólogo. Alguns casos de óbitos podem desestruturar a equipe que acaba sofrendo juntamente com a situação grave, com isso os profissionais envolvidos devem receber assistência constante para amenizar o sofrimento e lidar com as inevitáveis perdas. Os pacientes terminais merecem atenção especial pois, com a evolução da doença ele sofre diversas alterações de humor e comportamento.A fase de DEPRESSÃO E ISOLAMENTO do paciente terminal é um dos períodos mais críticos, pois o paciente não quer conversar, expor o que sente. A Psicologia deve ampliar seus conhecimentos com formas de lidar com esta diversidade de comportamentos sem deixar tornar pessoal o relacionamento com o paciente.

3) Quais são as técnicas e recursos que os psicólogos dispõem?

As abordagens vão sendo aplicadas de acordo com as necessidades de cada paciente. As vezes pode se usar comportamental em outras a psicanálise enfim há muitos momentos que o mais importante é ouvir.A psicóloga utiliza a escuta como principal recurso para auxiliar o paciente.Através da fala o paciente também se ouve, se analisa e se percebe e vai entendo o significado do que ele próprio está expressando. Isto ocorre com qualquer paciente independe da enfermidade o importante é a percepção dele próprio. Uma das funções do psicólogo é de relatar por escrito a avaliação de seu paciente, porque a equipe médica exige que as informações coletadas nas conversas sejam compartilhadas por meio de avaliação psicológica, repassando para a equipe apenas o que é necessário, sem expor o paciente, pois há ética profissional. O que ocorre muitas vezes: o médico prescreve o tratamento, o paciente recebe a informação porém, não compreende o procedimento. A quimioterapia, por exemplo, causa dúvidas. O paciente acaba fantasiando, pois desconhece esta rotina. O papel do psicólogo neste momento é atuar como uma ponte entre o paciente e o médico esclarecendo estas dúvidas e receios.

4) Porque ainda esse espaço não está completamente definido e devidamente ocupado?

Os espaços não estão devidamente preenchidos, um fator que contribui muito é a falta de conhecimento do que a Psicologia Hospitalar pode fazer. Muitos da equipe, pensam que irão atrapalhar quando na verdade, a Psicologia vem para contribuir nos tratamentos e procedimentos necessários ao paciente. Os médicos exigem provas da eficácia do psicólogo no tratamento, precisam de respostas concretas, e, a partir disso passam a confiar mais no trabalho realizado em conjunto. Por fim a própria equipe médica necessita da presença do psicólogo para poder ouvi-los a fim de trazer conforto em diferentes situações. A intervenção do psicólogo atinge todos os ambientes no meio hospitalar e atua com todas as faixas etárias o mais importante é promover o bem estar emocional além da saúde física das pessoas neste ambiente.

Maria Clara Maffezzolli
Psicologa
Do Hospital Santo Antônio

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